Feito em 1976, o filme Cordão de Ouro representa um marco na história da capoeira no cinema nacional. Realizado em plena ditadura militar, o longa surpreende ao contar a história de um escravo que se rebela contra o sistema.
Num país fictício, Eldorado, Jorge é escravo de uma companhia de mineração de selênio, a Cia Progresso de Eldorado. Revoltado com a exploração de seu povo ele foge e recebe ajuda do Caboclo Cachoeira para escapar dos capatazes, que o perseguem de helicóptero. O Caboclo o conduz às sagradas terras de Aruanda, um “mundo feliz”, “a morada do bem, onde os rios são dourados da cor do mel e a mata é verde da cor das esmeraldas e no ar brincam para sempre as risadas felizes dos filhos de Oxalá”, como se diz numa das sequências mais poéticas do filme. Lá, Jorge conhece seu mentor espiritual, o orixá Ogum, que o espera para batizá-lo e testar suas habilidades no jogo da capoeira. Satisfeito, entrega-lhe também um amuleto de proteção – um cordão de ouro, com a estrela de Salomão – que vai “manter seu corpo fechado enquanto tu tiver coragem de olhar dentro dos olhos dos teus inimigos” e lhe confia a missão de voltar a Eldorado para lutar ao lado de seu povo contra as “falanges do mal”.
Carregado de símbolos da religiosidade afro, indígena e da cultura popular, numa exuberante estética de vanguarda, o filme é de grande importância para quem se interessa a fundo pela história da capoeira, do cinema e da cultura nacional. Clique no link e assista: www.youtube.com/watch?v=89-pkUx2cbQ
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